A Suprema Corte dos Estados Unidos proferiu uma decisão determinante para o comércio internacional. No acórdão Learning Resources, Inc. v. Trump de 20 de fevereiro de 2026, considerou que a IEEPA (International Emergency Economic Powers Act) não permite ao Presidente impor direitos aduaneiros desta forma.
Por que razão esta decisão é tão importante?
A Corte recorda um princípio fundamental do direito constitucional americano: o poder de fixar tarifas aduaneiras pertence ao Congresso, salvo delegação explícita e clara.
Na prática, esta decisão restringe fortemente a utilização da IEEPA como instrumento que permite impor de forma rápida e massiva direitos aduaneiros.
O que isto muda concretamente para as empresas
Para as empresas, a mensagem é clara:
um direito aduaneiro baseado numa fundamentação legal inadequada pode agora ser contestado, voire anulado.
Outro ponto crucial: a questão dos reembolsos.
Segundo a Reuters, mais de 175 mil milhões de dólares de receitas tarifárias poderão ser objeto de pedidos de restituição. Isto abre um enorme processo para os importadores e os seus consultores (alfândega, fiscalidade, contencioso).
Atenção: os Estados Unidos dispõem de outros instrumentos
Esta decisão não significa, no entanto, o desaparecimento dos direitos aduaneiros nos Estados Unidos.
A Casa Branca já invocou a Secção 122 do Trade Act of 1974 para instituir uma sobretaxa temporária à importação.
O Peterson Institute salienta, aliás, que, embora a decisão seja estruturante do ponto de vista jurídico, a incerteza tarifária permanece elevada: o executivo mantém outros fundamentos jurídicos para agir.
Os pontos principais a reter para as empresas
- A IEEPA está agora fortemente limitada como base jurídica para impor direitos aduaneiros.
- O risco tarifário continua bem real através de outros instrumentos (Secção 122 e outros regimes comerciais).
- A conformidade aduaneira torna-se mais estratégica do que nunca: classificação tarifária, documentação, redação contratual, cláusulas de repercutição dos direitos aduaneiros e monitorização regulamentar devem ser analisadas com atenção.
Para mais informações sobre o assunto, não hesite em contactar os nossos especialistas!
Fontes:
- The White House (em inglês)
- Reuters (em inglês)


